
Um processo de desenvolvimento de um projeto de interiores não pode ser definido como algo geral a todos os profissionais da área. O que ocorre é que é possível encontrar diversas formas e sugestões diferentes para sua elaboração. No entanto, ao observar estas formas sugeridas, pode-se encontrar várias similaridades em suas etapas. Com base nisso é possível sugerir um processo geral para o desenvolvimento de projetos na decoração que possa ser adotado como referência a quem deseja ou a quem está iniciando nesta área.
Neste artigo, deixarei uma sugestão. No entanto, que fique claro para o leitor que é possível encontrar diversas outras na literatura e também na internet. O que acontece é que ao acrescentarmos todas estas sugestões ao nosso conhecimento, estaremos possibilitando, à frente, nossa personalização e individualização do método. Por isso é importante a busca de outras referências sobre o tema, para a complementação e formação do conhecimento. Assim, também, o espaço fica aberto para que os leitores complementem ou sugiram novas informações sobre o assunto.
A apresentação resumida do processo será feita em etapas, tendo em vista a grande extensão do assunto. Nesta primeira parte serão apresentados os três primeiros passos, como segue:
Análise do perfil - Como já foi mencionado em outros artigos deste Blog (Veja aqui), não é possível que um projeto de decoração dê certo, sem que se conheçam os moradores e suas características como rotinas, gostos, interesses, etc. Esse conhecimento é necessário para que o projeto os atenda em suas necessidades funcionais e emocionais. Para isso, é importante que se tenha várias referências de imagens de ambientes e imagens de objetos em diversos estilos, para uma avaliação e eleição por parte dos moradores do que mais os agrada, como também, para tornar claro que tipo de ambiente idealizam para suas vidas. Em geral, as revistas possuem um vasto material sobre isto. Este tópico deverá gerar um documento com o perfil obtido na análise.Exemplo de parte do registro de um perfil:

Avaliação das dimensões dos espaços em questão - Importantíssimo e fundamental, sem esta avaliação não há projeto, pois entre diversos prejuízos que sua falta pode causar, fica impossível estabelecer qualquer planta em escala real que permita analisar e determinar o melhor aproveitamento do espaço existente. Logo, torna-se necessário o conhecimento preciso das dimensões do espaço (Largura, profundidade e altura) e de todas as outras interferências que ele tiver. Com estas medidas estabelece-se a planta arquitetônica do espaço e posteriormente a planta de reforma (Caso haja a necessidade de alguma). Então, nesta etapa é fundamental o uso da trena.
Exemplo de planta arquitetônica e de reforma para um mesmo imóvel:
ReformaExemplo de Layout:
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Plantas de corte e levantamento - As plantas de corte permitem a visualização de faces internas dos ambientes mediante a retirada de partes definidas por planos de corte. Já o levantamento equivale a erguer as paredes, móveis e objetos próximos a elas a partir da planta de layout.
Planta que indica os cortes (AA e BB em verde) de dois ambientes.

Planta de corte AA da sala canguru mostrada acima

Plantas de iluminação e hidráulica - A planta de iluminação pode ser a planta de reforma acrescida de elementos como de pontos de luz, tomadas e interruptores na planta iluminação.
Já a planta hidráulica identifica os pontos que servem água aos ambientes. Como a planta de iluminação também pode ser a de reforma contida dos elementos de hidráulica.
Seja para um ou outro caso há uma série legendas para identificação dos elementos.
Planta de forro - Planta que determina as características do forro do teto ou rebaixo (Caso haja). Entre elas, material, dimensões, os furos em que haverá a instalação dos pontos de luz.
Exemplo de planta de forro em 4 vistas diferentes

Perspectivas e/ou maquetes dos ambientes - Um ponto de fuga, dois pontos de fuga, axonométrica, etc.
Elas permitem uma simulação do projeto completamente acabado em diversos ângulos e em diversos ambientes diferentes. Com esta simulação é possível ter uma avaliação do aspecto visual dos ambientes para suas aprovações. Assim, diferente dos itens apresentados anteriormente, não apresentam apenas o propósito técnico.
Perspectiva com um ponto de fuga
Memorial descritivo - Um documento que apresenta detalhes como, cor, materiais, objetos e todos os itens que comporão a decoração dos ambientes observados nas perspectivas e nas demais plantas.
Exemplo de parte de um memorial descritivo

Memorial de critérios - Documento que descreve os critérios determinantes na escolha dos elementos mencionados no memorial descritivo.
Exemplo de parte de um memorial de critérios

Orçamento - Uma lista contendo o custo total e individual de todos os itens e serviços envolvidos no projeto.
Exemplo de parte de um orçamento

Então, como foi dito acima, vale a pena lembrar que estas etapas não passam de sugestões, e por isso, cada profissional pode adotar sua forma particular de desenvolver este trabalho. Se pesquisarmos, encontraremos profissionais que acrescentam outras etapas ou adotam etapas com algumas diferenças. No entanto, no geral elas apresentam uma certa semelhança.
Terminando é importante mencionar que o acompanhamento do projeto, não importando a forma de trabalho adotada, deve ter a participação ativa dos moradores para escolha e seleção dos materiais, objetos, móveis, e todos os elementos adotados, para que a probabilidade de insatisfação dos resultados obtidos seja praticamente inexistente.
Bom trabalho!


