Quando iniciarem esta leitura, aposto que pensarão que estou novamente às voltas com definições, conceitos e todas as idéias que ouso expor a vocês. Mas, desta vez, o assunto foi provocado (no bom sentido), não surgiu de forma espontânea.
Em diversos sites de designers que andei lendo, percebi um assunto incomum que me chamou a atenção, a diferença entre decoradores, design de interiores e arquitetos. Em um desses sites vi um comentário de uma arquiteta que, além de elogiar os designers - obrigado pela parte que me cabe – conta que na faculdade tinha um professor que deixava bem claro para seus pupilos que eles não eram decoradores, mas sim arquitetos. Não quero e nem posso dizer que ele está errado e que as duas profissões se equivalem. Na verdade, acho que elas se completam e, se me permitem, vou mais além.
Para os leitores habituaés do blog, não há nenhuma novidade se eu falar que o dito comentário, desacompanhado de uma explicação ou aprofundamento, me causou surpresa. Preconceito novo na área?
Só para dar uma pincelada no assunto, acho pertinente diferenciar com fundamento as profissões de arquiteto, designer de interiores e decorador, sem desqualificar nem uma nem outra.
O arquiteto tem formação acadêmica, técnica e artística que vislumbra horizontes mais amplos, cuidando não só das edificações como também do urbanismo. Que bom existirem Oscar Niemeyer e Jaime Lerner, não? E as obras do espanhol Gaudí? Pura arte! E isso só para citar alguns, pois temos uma gama enorme de talentos que merecem ser citados, mas prometi uma pincelada no assunto, lembram?
E o designer? O designer tem formação técnica e artística visando projetar tudo que o seu conhecimento é capaz, desde mobiliários, objetos utilitários ou não, interiores e chegando até o campo da web. Exceção para edificações, que são restritas ao arquiteto. É uma gama infinita de atuação. Não preciso nem dizer que é um artista também, e em se tratando de interiores, sua formação permite que ele intervenha no espaço, modifique a área a ser trabalhada com relação às alvenarias ou à iluminação. Quer um exemplo?
O projeto antes:
O projeto depois:
O projeto realizado:

Já o decorador alcança a estética usando o conhecimento de cores, formas e bagagem cultural sem intervir nas áreas existentes. É mais intuitivo e menos técnico. Vocês acham pouco?
Existem grandes decoradores, com uma bagagem incrível de cultura, bom gosto e poder de transmitir ao ambiente toda sua alma.
Penso que para exercer toda e qualquer profissão é necessário nascer com vocação, ter feeling. Com o arquiteto, o designer ou o decorador não poderia ser diferente. Uma coisa é certa: todos têm intuição e alma de artista, porém com formações e objetivos diferentes.
Acho difícil um arquiteto, ao projetar uma casa, por exemplo, obter um EXCELENTE resultado final se não atuar em conjunto com um designer - definindo o layout dos mobiliários em função do uso de espaço e iluminação - e também com o decorador, pensando já em materiais, cores e texturas dos mobiliários.
Sim, resultado EXCELENTE, pois menos que isso ninguém pode aceitar do trabalho de ninguém!
E não posso deixar de citar duas qualificações muito importantes a essas profissões, bem como a todas as outras que conhecemos: há de se ter ética e formação crítica. A falta de qualquer uma delas compromete gravemente a avaliação do resultado que se espera de todo profissional.
Até mais!